20091014

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20091013

A CASA DO FUTURO

ABSTRACT
Os valores que regiam a sociedade no passado foram corrompidos e são hoje confrontados pela máquina, pelo controlo e o poder que o Homem exerce sobre si e sobre o mundo. Será o Homem escravo da máquina?
Se, por um lado a tecnologia veio melhorar e muito a qualidade de vida do Homem, aproximando-o de outras pessoas, abrindo-lhe portas, alargando o seu saber e permitindo-lhe executar tarefas de modo eficaz, poupando-lhe tempo, esforço e trabalho, seja em casa ou no exterior, por outro lado também acabou por nos afastar uns dos outros, isolando-nos, progressivamente.
O que acontece é que chegámos a um ponto em que as pessoas estão saturadas dos problemas que as rodeiam, da incerteza, do desgaste de foro psíquico. O possível uso incorrecto dos meios que possuímos e o mau trato que demos a nós e à Terra acaba por revelar e explicar agora a insegurança social e religiosa, as catástrofes naturais com que somos confrontados e a carência relacional que nos assola.
Em prol de tudo isto, e do limiar que se atingiu, o Homem vai, de futuro, procurar satisfazer as suas carências mais relacionadas com a imaterialidade, através de uma utilização mais coerente da tecnologia. Reencontrará o equilíbrio junto da natureza, dar-se-à mais aos seus, e transformará o seu lar em algo flexível, de forma a responder positivamente às suas necessidades e vontades, em função do seu bem-estar físico e psicológico.

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A CASA DO FUTURO - REFLEXÃO CRÍTICA
Quantos de nós já parou para pensar naquilo que somos verdadeiramente, e qual o sentido das nossas vidas, dos nossos hábitos, da influência que os outros têm nas nossas acções e na importância que aqueles que nos rodeiam e partilham a vida connosco põem nas nossas decisões? Quantos de nós já tomou consciência da validez do conjunto de “regras” e imposições a que estamos sujeitos a cada dia, a cada acto, a cada relação, desde que nascemos e durante toda a nossa vida?
Crescemos e formamo-nos dentro e sujeitos a uma sociedade em que existem códigos que somos forçados a respeitar. Aceitamo-los e cumprimo-los sem questionar o porquê de tudo isto, pois são também eles que nos orientam, nos guiam e fazem com tudo aquilo que temos e tudo aquilo que o Homem construiu faça sentido e mantenha uma ordem que funciona, de facto. Mas, contudo, será que o facto de haver algo que nos oriente e nos “desenhe” um trajecto já definido à gerações só nos traz resultados positivos? Ou será que o Homem reformula cada vez mais esse caminho, criando os seus próprios caminhos, as suas próprias opções? Hoje em dia a nossa vida pode tomar diversos rumos, podemos fazer com que ela tome diferentes caminhos. Temos a possibilidade de moldar, de voltar atrás, de escavar novos percursos dentro da grande via que somos nós, a nossa vida, os outros e o mundo que nos rodeia.
Felizmente hoje o Homem tem a possibilidade de mudar o seu destino, tem a possibilidade de fazer praticamente tudo o que ambiciona, porque a sua vida tem vindo a ser facilitada de geração em geração pela tecnologia e pelas novas descobertas inovadoras.
Então estamos perante um facto muito claro e que realmente não deixa dúvidas. A máquina é uma mais valia para o Homem: ela veio facilitar a sua vida, conseguiu executar tarefas que anteriormente nos eram impossíveis, veio até, inclusive, ajudar-nos a aproximar de outras pessoas e outros lugares, oferecendo-nos a possibilidade de conhecer, viajar, visitar e criar laços ou relações virtuais. Melhorou indiscutivelmente a comunicação entre as pessoas, facilitando a sua aproximação e tornando possível fortalecer laços, tornando mais curtas longas distâncias, mostrando numa pequena televisão a actualidade do mundo, permitindo-nos viajar através de uma rede.
Mas a pergunta continua lançada sob diferentes perspectivas: são as pessoas reféns da tecnologia? O Homem comanda a máquina; irá a maquina comandar o Homem?
A tecnologia emergiu tão desmesuradamente que talvez o homem não tenha agora mão para ela. Isto porque talvez seja como uma droga mal gerida que nos agarra e, se por uma lado, nos abre um leque de opções, por outro lado nos limita e não nos faz tentar superar-mo-nos. Acaba por inevitavelmente nos oferecer uma atitude de conformismo e comodidade. É provável que tenha sido feito um uso pouco correcto de todo este desenvolvimento, porque agora a máquina parece afastar as pessoas, servindo de refúgio, de escapatória ao convívio, “desensinado” as pessoas a comunicarem umas com as outras activamente e a interagirem fisicamente e não virtualmente.

Mas, com tantas facilidades, com a ajuda das novas tecnologias, com a máquina a substituir o homem em tarefas mais difíceis, porque é que cada vez mais temos menos tempo para nós e para os outros? Isto porque andamos constantemente apressados, ocupados e atarefados com tudo e com nada. Não há tempo para pensar, para dar e para receber, mas sim para produzir, para correr e para gerar. Hoje em dia, o dia tem metade daquilo que daria mais jeito e não há tempo para nós, para dormir ou para os prazeres da vida. Já não se pára para apreciar um lugar, um momento, um gesto ou para lembrar alguém. Podemos, quando muito, enviar uma mensagem para o telemóvel de alguém para mostrar que nos lembramos dessa pessoa, ou contentar-mo-nos com a imagem de uma paisagem de um lugar tranquilo num écran, quando este lugar pode estar mais perto do que julgamos.
Será que não conseguimos criar um equilíbrio e saber distinguir a realidade da virtualidade? Será que o homem acabou por se afastar numa tentativa de aproximação? Ou será que as pessoas criaram “monstros” ilusórios dos quais fogem e que acabaram por se tornar reais, materializando-se em violência, em desconfiança, medo e sede de dinheiro e poder? Dinheiro e poder esses que perpetuam os graves desequilíbrios económicos e geopolíticos. É necessário que os homens orientem as suas preocupações no sentido de cuidarem melhor da Terra, e de todos os seus habitantes, presentes e futuros. Uma responsabilidade de cada um de nós.

Tudo isto nos indica que estamos a chegar ao fim de uma linha de desenvolvimento e que chegou a altura de começarmos outra. Desde as relações pessoais à forma como lidamos com o meio ambiente, o Homem está a consciencializar-se do que se passa com ele e com o seu planeta. Chegou ao limite de uma maneira de pensar a agir e começa a esforçar-se por mudar a sua atitude.

Também o afastamento e a descrença na religião e num Deus o deixaram mais frágil e inseguro. Depois de uma recaída da fé, surgem agora novos adeptos à crença religiosa, e aos novos interesses na curiosidade de outras crenças, da metafísica e do transcendentalismo. A aceitação de novas explicações do fantástico e das coisas que não conseguimos explicar. A busca da energia. Novas tentativas e métodos do conhecimento de si próprio, a importância de um espaço especial, de uma atmosfera particular de fuga ao usual. O conhecimento de outras culturas, novos povos, diferentes maneiras de estar no mundo e com os outros, novas maneiras de aproveitar o tempo e nós próprios.

A verdade é que hoje vivemos uma situação de instabilidade e desequilíbrio relacional, emocional, ecológico e de discrepâncias sociais impostas socialmente.
Herdou-se a partir da Segunda Guerra Mundial uma nova ordem do mundo que modificou qualitativamente o sistema de poder da pós-modernidade, encaminhando-nos para uma globalização, desafiando os nossos valores, instituições e identidades de maneira eficaz a satisfazer as nossas aspirações e exigências humanas (Francisco Jarauta). Hoje pensa-se no moderno, no novo, no actual e na nova geração; pensa-se o futuro e o novo; o desconhecido; pensa-se na máquina e na tecnologia; no frio e no prático. Não há espaço para o sentimento, a sensibilidade e as relações. A máquina permitiu ao Homem ter mais tempo livre que parece cada vez mais “voar”, pois arranja sempre algo para preencher os espaços vazios com obsessões, trabalho, correria e stress em vez de aproveitar esse tempo com lazer, passeio ao ar livre, observar um pôr-do-sol ou conversar com outras pessoas.

A família já não tem a importância de outrora. A importância da realização profissional, os custos que implica ter filhos, a falta de tempo e a vontade de ceder acabam por resultar em famílias pequenas, desintegradas e sem tempo para reforçar laços. As preocupações aliam-se ao trabalho e à integração social. A natalidade decresce. Desconstrói-se, a cada dia, o universo de valores que julgávamos imutável. Os valores que julgamos correctos alteram-se a uma velocidade escandalosa, mudamos de ideias facilmente e somos rapidamente (e quase voluntariamente) influenciados pelos outros.

Isto é resultado do mau uso da tecnologia por parte do homem porque é gerada uma distanciação que resulta nas pessoas estarem cada vez mais isoladas e optarem por viver sozinhas, segundo ideais como a questão da auto-independência, da liberdade pessoal e da auto-satisfação que acaba por gerar um egoísmo e egocentrismo cada vez mais notórios em todos nós.

Nos dias de hoje um dos grandes problemas da actualidade e com os quais nos preocupamos cada vez mais é a energia; e o receio de ver essas fontes esgotarem é compreensível. Afinal, nada na sociedade industrial funciona sem um abastecimento de energia. O economista Palmer Putnam publicou nos anos 50 previsões relativas ao consumo mundial de energia, afirmando que no virar do século, o número de consumidores passaria para os 3,5 mil milhões, que o preço do carvão não deixaria de aumentar e que as reservas de petróleo se esgotariam progressivamente. No entanto, estes dados são falsos. A situação é mais inquietante do que se poderia pensar, pois hoje somos algo como 6 mil milhões de habitantes consumidores, o carvão não é mais caro e o volume apontado para as reservas de petróleo foi, há muito, consumido.
“A questão do esgotamento das fontes de energia transformou-se num problema de excessiva abundância. Actualmente, as emissões provocadas pela combustão de petróleo e de carvão ultrapassam em muito as capacidades naturais de absorção da Terra. Mas existem outras fontes de energia: o sol (células fotovoltaicas que convertem luz solar em energia eléctrica; aquecimento solar), o vento, a água (no Japão existe uma plataforma que gera electricidade com a força das ondas), ou as fontes geotérmicas, que são simultaneamente mais baratos a médio prazo e mais respeitadoras do ambiente”, e uma alternativa à substituíção gradual das fontes esgotáveis (in A Terra Vista Do Céu, de Yann Arthus-Bertrand; e in A Terceira Vaga, de Alvin Toffler). Há também outros dois factores aliados a esta alternativa. Em primeiro lugar, a aprendizagem de um uso da energia mais controlado, ou não fosse hoje em dia necessária apenas metade da energia utilizada há quarenta anos atrás, para produzir a mesma quantidade de bens industriais… E em segundo lugar as reservas de combustíveis fósseis que hoje são subestimadas.

Hoje reina a realidade dos “desastres ecológicos e das perturbações químicas. O apocalipse em cena doméstica: o espanto diminuído e a ternura intacta” (in Egoísta, Março 2002). O Homem começa já a preocupar-se com a natureza e com o meio ambiente e tudo aquilo que gerou com a sua destruição progressiva. As catástrofes actuais que cada vez mais têm acção, irão gradualmente despoletar uma nova consciência mais atenta, e inevitavelmente mais preocupada com o meio ambiente. O Homem procurará refúgio nas coisas mais simples, procurará voltar de certa forma às origens, readquirindo o gosto pelo contacto com a natureza, pela simplicidade, no sentido de uma refuta aos grandes centros de desenvolvimento e actividade de produção e crescimento. Dedicar-se-à mais a si e aos seus porque finalmente percebe que tem mais tempo e predisposição para isso e ocupará os seus tempos livres aproveitando o que a natureza e o mundo têm para lhe consagrar. Querendo viver de novo em sintonia com a natureza, o ser humano vai tentar procurá-lo e adquiri-lo no seu meio, no seu espaço íntimo e privado, na sua casa, no seu refúgio, através de memórias de lugares, de pensamentos, de imagens e recordações.

O lar é, como dito acima, um porto de abrigo a que recorremos no fim de um dia de desgaste, e que tende a ser cada vez mais menos intimo. Assim sendo, se, por um lado, uma casa é um espaço material, físico, com uma conotação específica e carácter tradicional, institucional, por outro lado, o lar (“lar doce lar”) é algo nosso, é parte da colecção dos nossos sentimentos largados por terra, emoções, gostos pessoais, personalidade – um pouco de nós materializado num espaço, muitas vezes reduzido, aconchegante.

Por isto mesmo cada vez mais damos mais importância ao nosso espaço privado individual. Através dele podemos ter acesso a quase todas as pessoas e a todos os lugares do mundo. A possibilidade do teletrabalho vem renovar o conceito de casa, vem dar a possibilidade de alterar valores e redefinir prioridades e vem dar a possibilidade de trabalhar a partir de casa, deixando mais tempo em aberto para as pessoas cuidarem mais de si e atenderem mais aos outros. Ou será que se modificam as relações no ambiente doméstico, alterando-se os papéis e fazendo cair o conceito de família?

Vem também aumentar a produtividade e a rentabilidade de um serviço, porque, ao não existir um lugar fixo, com horários estipulados, as pessoas têm uma maior flexibilidade e possibilidade de aceder à tarefa que estão a executar muito facilmente, uma vez que estão em casa e não têm uma hora marcada para acabar. Acaba por ser mais rentável, acaba por poupar imenso tempo acaba por facilitar-nos a vida numa infinidade de coisas que de outra forma não conseguiríamos realizar, mas deverá ser o trabalho misturado com a actividade caseira? Será que, ao ser-nos dada essa possibilidade, não estaremos inconscientemente a ir contra os valores tradicionais de espaço familiar ou tempo de lazer, trazendo para este espaço tão privado que deverá ser só nosso, determinados assuntos inadequados ou uma entidade de outrém?

Se assim for e partindo do princípio que cada vez mais as pessoas habitem em bloco, as casas tendendencialmente diminuirão no tamanho de área, surgindo então a necessidade de em pouco espaço se conseguir ter uma casa com um bom aproveitamento de espaço, em que através de um espaço modelo, poderá haver a possibilidade de alterar esse espaço consoante a situação em que uma pessoa se encontra e a necessidade que essa pessoa tem de criar espaços maiores ou mais pequenos consoante a preferência / necessidade. A casa do futuro terá de ser um espaço confortável, pessoal, intimista e acima de tudo acolhedor. Face às frequentes agressões exteriores surge cada vez mais a necessidade de as contrariar e recorrer a espaços relaxantes, agradáveis e que quebrem o ambiente stressante e apressado do quotidiano e do trabalho. A possibilidade de fazer tudo em casa, isto é, viver, trabalhar, educar, conviver em casa (tendo em conta de que o espaço se paga, e é caro), tende a que espaços mínimos se tornem moldáveis, plásticos, maleáveis, alteráveis fisicamente. Os artefactos de arrumação transformam-se em mobiliário. Mobiliário este que deverá ser flexível em espaços pequenos e que sejam de fácil mobilidade e plasticidade no interior da casa. Os móveis dão lugar a espaços pensados para esse efeito e que fazem parte da casa e da divisão da mesma. O espaço é precioso. “Muitos objectos da nossa vida quotidiana serão também substituidos ou desaparecerão, como é o caso das braseiras e das máquinas de escrever” (in Forzando Acontecimentos – Hacia el fin de los objetos, de Juli Capella). Por outro lado haverá sempre um conjunto de objectos que, por mais desnecessários que possam ser, nunca deixarão de ser utilizados, embora com outro fim. Entre tantos outros, por exemplo, a vela. Hoje em dia a vela já não é utilizada com a finalidade de outrora, que era iluminar, porque não havia electricidade. Hoje em dia, só muito raramente isso acontece. As pessoas usam, de facto, as velas com o objectivo de criar ambientes específicos, procurar um tipo de luz mais suave para relaxar, ou para fins religiosos ou festivos.
Na casa do futuro surgirão objectos que deverão ser “mais pequenos, ligeiros / leves, resistentes e duráveis, reparáveis, desmontáveis, autónomos, biodegradáveis, reutilizáveis, recicláveis, eficientes, tecnologicamente adequados, multiusos, compartidos, afectivos, informativos e que procuram resolver de uma forma rápida, fácil e eficaz as necessidades do quotidiano, deixando mais tempo ao Homem para se relacionar com os seus, ter tempo de lazer e aproveitar o seu lar. Como já defendia o funcionalista Dieter Rams, “menos é mais”, e é neste sentido que a casa do futuro tende a evoluir, com a abolição de objectos supérfluos e totalmente desnecessários ao aumento da nossa qualidade de vida ou da nossa felicidade. Esta casa deve obedecer à vontade do proprietário em situações tão díspares como a necessidade de isolamento e a possibilidade de convívio e de acolhimento de mais pessoas, a existência de espaços de relaxamento ou reflexão ou introspecção, respeitando sempre uma boa iluminação e um bom isolamento. As divisões ou a criação das mesmas ganham importância na medida em que podem ser acrescentadas ou alteradas.
Podemos tentar tirar partido dos novos materiais, desde os de construção até aos usados para acabamento / tratamento / decoração, e das novas tecnologias, tais como novas madeiras e polímeros, o uso de elastómeros, para criar superfícies moldáveis, interactivas, oferecendo inúmeras possibilidades a níveis plásticos; as novas tintas termocromáticas, que podem oferecer possibilidades interessantes na questão da intimidade e da diversão; a alusão à retenção, conservação e acolhimento de cheiros que podem remeter a memórias fazendo com que se possa aceder a acontecimentos passados, arrecadados na nossa memória, entre tantas outras alternativas interessantes, inovadoras e criativas.


No entanto, a casa do futuro deve respeitar o meio ambiente, funcionando com energias renováveis, tendo em conta preocupações ecológicas e de rentabilização de meios. Surgem sistemas de reutilização da água dentro da própria casa, como por exemplo, a água que é desperdiçada nas casas de banho e que pode ser muito mais bem utilizada aproveitando o que se gasta em banhos, no lavatório e na cozinha para o saneamento. A energia solar e o aquecimento solar em vez de eléctrico, a monopolização dos lixos e sua separação consciente e intrínseca, para devida reciclagem, entre outros.


No entanto, com evoluir do tempo, será que tudo isto fará uma lógica e uma terá uma razão de ser, ou, como refere Juli Capella, conseguiremos afastar-nos do materialismo e alcançar algo mais espiritual, recorrente do ideal imaterialista, vazio de roupas, de aparelhos, de objectos, e aproveitar o espaço sem móveis, escrever com a mente e sem teclados, declarando um fim ao design? Será isto uma utopia ou uma realidade num futuro ainda longínquo?



“Já não estamos no ponto onde nos encontrávamos há uma década, ofuscados por mudanças cujas relações entre si eram desconhecidas. Hoje, atrás da confusão da mudança há uma crescente coerência de padrão: o futuro está a assumir forma. Esta (…) mudança histórica não representa uma extensão em linha recta da sociedade industrial, mas sim uma mudança radical de direcção e muitas vezes uma negação do que antes se passou. Resume-se a nada menos do que uma transformação completa, pelo menos tão revolucionária no nosso tempo como a revolução industrial o foi há 300 anos atrás.
(…) mudanças revolucionárias e auto-reforçadoras em todos esses diferentes níveis ao mesmo tempo. A consequência não é somente a desintegração da antiga sociedade, mas também a criação de alicerces para a nova.
No entanto, a decadência social é a camada de adubo da nova civilização. Nos campos da energia, da tecnologia, da estrutura familiar, da cultura e em muitos outros, estamos a colocar as estruturas básicas que definirão as principais características da nova civilização.
Na realidade, podemos agora, pela primeira vez, identificar essas características principais e até, em certa medida, as suas inter-relações. (…) a embionária civilização (…) não é apenas coerente e viável em termos ecológicos e económicos: se nos empenharmos nisso, também poderá tornar-se mais decente e democrática do que a nossa.” (Alvin Toffler, in A Terceira Vaga)


Joana Pais.